Vivência com Léo Rocha

Não é sobrevivência, não é sobrevivencialismo, não é bushcraft. A vivência foi uma produtiva e longa caminhada e um acampamento no mato com o protagonista do Desafio em Dose Dupla Brasil, Léo Rocha.

Com calça tática e chapéu estiloso, eu era o cara mais esquisito do grupo.

O objetivo principal da vivência foi aprender a identificar e coletar recursos naturais úteis. Quando o Léo encontrava algo interessante, parava imediatamente e começava a falar sobre o recurso, geralmente uma planta. Como gosto do assunto, perguntei muitas coisas que há muito tempo gostaria de esclarecer e o conhecimento do Léo sobre plantas superou minhas melhores expectativas. Também o questionei sobre hábitos indígenas, assunto recorrente e de interesse de praticamente todos os participantes.

Na metade do primeiro dia, até mesmo um helicóptero do Águia, da Polícia Militar de São Paulo, nos localizou no meio do mato sobrevoando a área em que estávamos, se fazendo compreender que haviam nos encontrado. Um tripulante do grupo estava em solo, participando conosco da vivência mateira. Foi um momento pra lá de interessante!

O Águia dando as caras na metade do primeiro dia!

Aprendendo a observar e testar recursos disponíveis.

Durante a caminhada, além daquilo que era mostrado pelo Léo Rocha, não perdi a chance de questioná-lo para que mostrasse ou citasse plantas de boa madeira e fibras naturais para a construção de abrigos, arco e flecha, entre outras coisas. Aumentei muito meu conhecimento sobre estes recursos e não desperdicei oportunidades de tirar minhas dúvidas e aprender um pouco mais, mesmo a respeito de plantas que já dominava alguma utilidade. O conhecimento que procuro adquirir ultimamente é sobre os recursos encontrados na natureza, e nisto o Léo Rocha se mostrou um verdadeiro mestre. O conhecimento da natureza é muito difícil de adquirir, e termos boas referências é muito importante.

Construindo um abrigo com poucos recursos.

No caminho, vários aspectos sobre a cultura indígena foram abordados com um ponto de vista de quem viveu entre os índios. Posso afirmar que os argumentos são bem diferentes daqueles que estamos acostumados a ler e ouvir nos meios de comunicação. Outra coisa que nos acompanhou durante o trajeto foram rastros de onça.

Em momentos diferentes do dia, principalmente no acampamento, perto de uma nascente, aspectos básicos sobre água, fogo e abrigo foram abordados rapidamente, mas o foco não foi a sobrevivência, mas a vivência no meio do mato, ou seja, o prazer de estar em um ambiente natural e nele identificar recursos para sua subsistência! Um abrigo improvisado até foi construído, mas os momentos mais interessantes e produtivos, pelo menos para mim, foram os bate-papos já na beira da fogueira, aonde o Léo foi muito questionado principalmente sobre a sua experiência entre os indígenas.

Enquanto os peixes assavam, um bate-papo produtivo acontecia.

A caminhada não foi fácil, haviam subidas e descidas bem íngremes, sendo necessário um preparo físico em dia. Quem quisesse poderia coletar alguns recursos pelo caminho, mas havia comida no acampamento. Cada participante também levou 1.5l de água, algumas frutas e legumes, de modo a dividir o peso. Chegando ao local havia uma nascente e mais comida que havia sido levada um dia antes pelos organizadores.

De acordo com a proposta do evento, a alimentação foi  a mais natural possível. Também assamos peixes e preparamos alimentos à base de mandioca, aveia e mel, tanto para a janta quanto para o café da manhã. Quem assim desejasse poderia levar algo para comer, eu levei umas bisnaguinhas de biscoitos recheados com goiabada, mas não havia tal necessidade, comi duas para aliviar o peso e dividi as outras com algumas pessoas do grupo.

A caminhada até o local do acampamento foi longa mas prazerosa.

Apesar da caminhada ser longa e em terreno muitas vezes difícil, o evento não foi idealizado para sofrimento. Ninguém foi proibido de levar alimentos, redes de descanso, lanternas e demais equipamentos, mas a sugestão era levar o mínimo possível. Quem quis dormiu ao relento, perto da fogueira, um participante preferiu o abrigo improvisado e outras pessoas, inclusive eu, foram para as barracas que eram em número suficiente para todos, se assim escolhessem.

Fábio Serqueira aproveitando cada momento!

Como não poderia deixar de ser, a curiosidade minha e de muitos participantes sobre os detalhes de produção do programa da Discovery Channel, Desafio em Dose Dupla Brasil, fez com que Léo Rocha falasse a respeito do roteiros, captação de imagens, direção e edição. Não pretendo dar detalhes porque acredito que não seja ético de minha parte comentar sobre o assunto, mas posso afirmar que, pelo menos em parte, algumas críticas que fiz em relação aos protagonistas foi injusta devido à falta de autonomia do Léo Rocha e do Coronel Leite. Também comecei a rever minha opinião em relação ao protagonista militar, de quem ouvi muita coisa boa a respeito. Por outro lado, brincamos constantemente gritando a frase que virou um bordão durante a vivência: “Léo, onça”!

Batendo um papo com o Léo Rocha.

Se você pensa em participar, posso afirmar que a experiência foi muito gratificante, só não espere aprender técnicas avançadas de sobrevivência na selva, que não é o foco. Se tiver interesse, há muito o que aprender sobre a natureza, se quiser perder o medo de mato, também é uma boa oportunidade, e se quiser conviver com uma pessoa com uma história de vida interessante, também não se arrependerá!

Os primeiros alunos do Léo Rocha antes da vivência ter início.

Cada pessoa teve ter guardado para si aquilo que veio buscar, eu aumentei meus conhecimentos sobre recursos naturais e cultura indígena. A vivência proporciona ao participante aprender o mais puro conhecimento mateiro. Viajei mais de 900 quilômetros para participar da vivência, se a distância não me desanimar, pretendo participar de outros eventos produzidos pela equipe do Léo Rocha!

* Algumas fotos foram cedidas pela equipe do curso.

 

21 comentários para “Vivência com Léo Rocha

  1. Ricardo Unanian
    25 de setembro de 2014 at 00:49

    Muito bom, parabéns, pensei em ir a esta vivência mas o nome vivência me deixou meio “cabrero”. Pelo visto me enganei e feio. Farei o possível para participar do próximo, obrigado pelo feed back!

  2. Franquilin de S. Corrêa
    25 de setembro de 2014 at 00:50

    Nossa, mas que legal. Fiquei com muita vontade de participar
    Segui a sua Dica e consegui o filme kon-tiki, irei assistir hoje anoite.
    Boa noite e parabéns pelo blog e pelo Canal estou aprendendo muito.

  3. 25 de setembro de 2014 at 09:21

    Muito legal Gasparello. Obrigado por dividir conosco suas impressões e experiência da vivência.

  4. IVAN SCAROLA
    25 de setembro de 2014 at 09:26

    Logo imaginei que o curso de vivência seria assim. Através do programa já havia percebido que o Leo Rocha é uma pessoa educada, humilde, habilidoso e de muito conhecimento. Da próxima vez não perderei a oportunidade.

  5. Leonardo Rocha
    25 de setembro de 2014 at 11:13

    Oi amigo Gasparello, gostei muito do seu texto e da forma como descreveu sua experiência na vivência.
    Realmente essa é uma vivência básica, que tem como objetivo principal, apresentar essa maneira diferente de encarar as visitas a ambientes selvagens. Em breve pretendemos apresentar novas etapas mais técnicas e com maior exigência física, serão os desafios, será necessário participar da vivência portal da mata primeiro e teremos mais tempo para utilizar recursos e técnicas.
    Grato por sua participação, um forte abraço Léo Rocha

  6. 25 de setembro de 2014 at 11:55

    Gasparello, bom dia. Você conseguiu descrever com muita habilidade toda nossa experiência. Acredito que, como você citou “cada um guardou para si o que veio buscar” e certamente retornou para casa ao final do segundo dia com uma bagagem muito maior e mais rica. Eu me reencontrei com a TERRA, conquistei amigos e estreitei laços, sem contar é claro, todo o aprendizado da cultura indígena, de mato e de mata.

  7. 25 de setembro de 2014 at 11:59

    Com certeza deve ter sido uma experiência singular! Conhecer uma pessoa como ele, como você disse, com uma experiência sobre o meio natural, faz realmente uma grande diferença em pessoas que amam a natureza! Muito bom isso ai Xará Gasparelo! Parabéns! Abraço!

  8. Azor Fares
    25 de setembro de 2014 at 12:00

    Quando o programa foi lançado no Brasil questionei um amigo militar que conhece o Cel. Leite e ele me disse que o cara tem um grande conhecimento. É um verdadeiro “faca nos dentes” como eles dizem.

  9. Josiane Gonçalves
    25 de setembro de 2014 at 18:39

    Como faço pra participar? Onde obtemos informações? Achei incrível e excelente sua abordagem sobre o assunto. Já sou vovó e me animei muito! Abraços

  10. Delano Machado Gonçalves
    25 de setembro de 2014 at 22:04

    Gasparello,

    No bom sentido da palavra, fiquei com inveja.
    Tenho certeza que foi uma experiência inesquecível.
    Saudações.

  11. Sérgio Marcos Navarra
    28 de setembro de 2014 at 13:10

    Gasparello,gostei muito do foco que abordou com essa experiência com o Leo Rocha,muito interessante mesmo.
    Peço a gentileza de enviar-me o contato dêle,quem sabe poderei participar do próximo grupo.
    Aproveito para dizer-lhe que acompanho de perto suas matérias e que estou aproveitando muito esses artigos,parabéns!
    Com um cordial abraço,
    Att:Sérgio Navarra.

  12. Sérgio Marcos Navarra
    29 de setembro de 2014 at 00:43

    Gasparello,gostei muito da sua abordagem com relação á sua expêriencia vivida no seu contato com o Léo Rocha.
    É possível enviar-me o contato dêle?,talvez possa participar de um dos próximos encontros.
    Gosto muito de suas matérias e artigos e estou aproveitando muito.
    Com um cordial abraço,
    Sérgio Marcos Navarra.

  13. Leocir
    29 de setembro de 2014 at 13:51

    Parabéns pelos vídeos, aprendi muito sobre se localizar no mato. Sou fã do léo Rocha e assisto sempre o programa. Adoro a natureza, me criei no sítio, andando pros matos rsrs..pescando..fazendo aquilo que acho que toda criança deveria fazer, integrar com a natureza, conhecer tudo o que ela nos oferece e ter mais respeito com ela..parabéns mais uma vez. Fique com Deus e que ele proteja a todos.

  14. Fabio
    1 de outubro de 2014 at 13:56

    muito legal cheguei a me inscrever no curso, mas me faltou recursos financeiros, seria legal te encontrar la.

    em uma outra oportunidade eu vou fazer, conhecer Léo que vai ser muito gratificante, parece ser muito legal ele.

  15. Renato Araújo
    2 de outubro de 2014 at 11:35

    Muito bacana o relato. Deu vontade de participar também…Parabéns pelo seu site. Sempre acompanhando.

  16. Glademir da Rosa Gomes
    7 de outubro de 2014 at 01:00

    Muito legal, deu vontade de participar de outra vivência , o Léo Rocha deve ter transmitido muito conhecimento sobre a natureza,é muito importante conhecer sobre plantas e árvores quando se está na floresta ou fora dela,conhecimento mateiro é tudo, valeu pelas informações.

  17. Marcio
    30 de outubro de 2014 at 13:39

    Caramba!!!! Parabens Gasparelo, admiro seus conceitos e ações….o Léo é uma pessoa fantastica e vc agragou mais experiencia para seus empreendimentos!!!!!!!!!!!

  18. Fabio
    26 de janeiro de 2015 at 18:20

    O Léo Rocha poderia lançar um livro no futuro sobre os seus conhecimentos mateiros… tipo um manual de técnicas indigenas e mateiras.

  19. 18 de fevereiro de 2015 at 11:51

    Caramba, em setembro estava de bobeira aqui no cerrado e essa eu perdi.
    Legal a postagem Gasparello.
    Já vi vários vídeos do Léo, gente boa.
    Vou me organizar para ter uma “vivência” no futuro.

  20. 19 de janeiro de 2017 at 23:55

    Olá Gasparello, legal seu blog. Estou entrando em contato com o Léo Rocha, tenho um lugar fantástico junto ao Parque Estadual da Serra do Mar no Estado de São Paulo, no município de Salesópolis onde estão as nascente do Rio Tietê.

    Meu sonho esse ano 2017, só viver desse lugar, compartilhando essa maravilha com as pessoas, com vivências, cursos, trilhas na mata, travessia até a praia da Boracéia-Bertioga, escalada a Pedra da Boracéia etc…

    Estou entrando em contato, para quem quiser vir conhecer, é muito bem vindo, inclusive você!

    Forte Abraço,

    Eliel Bragatti – Sítio Toca da Onça Acampamentos Salesópolis-SP

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