Sobrevivência real e simulações

Prólogo

Tanto os programas de sobrevivência na TV quanto os blogs e canais no YouTube com técnicas mateiras podem trazer um incentivo às aventuras similares às do Survivorman ou do Bear Grylls, entre outros, porém, por pessoas comuns.

De minha parte, tenho a prática de técnicas de sobrevivência como lazer e, porque não, como algo que um dia possa vir a ser útil em uma situação remota e real. Sim, disse numa situação remota. Apesar de gostar de camping e trilhas mato adentro, acredito que a melhor técnica de sobrevivência é o planejamento de minhas aventuras. Sempre que entro no mato, que vou pescar, fazer uma viagem de carro, me preparo para imprevistos. Não pretendo, em hipótese alguma, passar por uma desagradável situação de estresse, apesar de estar sujeito às eventualidades. Quanto mais preparado o indivíduo, menor a probabilidade de cair em uma situação incômoda real para ser colocado à prova.

Todos estamos sujeitos a uma série de acidentes, como por exemplo, naufrágios, acidentes aéreos, entre outros, aonde o planejamento de pouco ou nada adianta, por outro lado, conhecer técnicas que auxiliem em sua própria sobrevivência podem fazer a diferença em muitas situações. Mas o meu texto refere-se à vontade do indivíduo de colocar-se à prova para mostrar a si mesmo ou para os outros o quanto é preparado e perspicaz.

Se você não é um militar, não pretende tornar-se um professor de sobrevivência, não acredita em uma invasão zumbi, qual seria o motivo de arriscar-se em uma situação dessas?

Simulação de sobrevivência

Será que o simples fato de improvisar uma cama de mato em uma situação fantasiosa de sobrevivência e passar uma noite ao relento poderá mostrar como você se comportaria em uma situação extrema de privação de comida, água, conforto, companhia e sono? Seria isto realmente necessário? Afinal, você sabe que não está realmente perdido e saberá o caminho do socorro, caso precise. O fator psicológico é muito importante em uma situação de sobrevivência e você teria este fator a seu favor em uma simples simulação. Por outro lado, neste tipo de “treinamento” mais radical, você também terá que enfrentar as mais variadas serpentes, aranhas, escorpiões, dengue, malária, leishmaniose, febre maculosa, doença de chagas, raiva, entre tantas outras doenças que sequer conheço que podemos contrair pelo fato de não estarmos protegidos por um simples mosquiteiro. Vale-a-pena colocar sua vida em risco real por uma simulação que não reflete a realidade de um sobrevivente verdadeiro?  Até que ponto dormir uma ou mais noites no mato arriscando-se sem o mínimo de proteção irá provar o quanto você é hábil? Lembre-se, em uma situação irreal você sabe o caminho de casa!

Situação real de sobrevivência

Em uma situação real é provável que você tivesse que provar a si mesmo outras coisas que nunca encontraria em uma simulação. Será que você conseguiria manter a calma logo no início para pensar razoavelmente e aumentar suas chances reais de sobrevivência? Até quando seu corpo resistiria com a privação de água, comida e sono adequado? Você resistiria às doenças que uma simples chuva ou picada de algum inseto poderia lhe acometer? Quanto tempo seu moral continuaria em alta à medida que os dias fossem passando e os recursos fossem ficando cada vez mais escassos e você, cada vez mais exausto? São inúmeras as variáveis de uma situação real aonde a volta para casa não seria uma opção. Meia dúzia de bactérias poderiam causar uma diarreia, provocando até mesmo a sua morte por desidratação.

Epílogo

Perceba que existe um abismo entre a realidade e uma perigosa simulação, que também pode levá-lo à morte ou a contrair uma série de ferimentos ou doenças. Mas a principal diferença está no fator psicológico, que você não colocará realmente à prova.

Pretendo, com este texto, mostrar para meus leitores o quanto é perigoso e desnecessário ficar por aí dormindo em cima de uma cama de mato ou em abrigos improvisados como nos programas de sobrevivência da TV a cabo, recheado de roteiros e com equipes de apoio. Um acampamento longe das grandes cidades já é arriscado o suficiente. Se quiser provar a dificuldade de algo parecido, existem cursos de sobrevivência que podem lhe ajudar a passar por situações controladas por instrutores, diminuindo os riscos durante as simulações. A prática de técnicas de sobrevivência como lazer, que é exatamente o que faço, também é interessante para prepará-lo para uma eventualidade, mas reitero que o planejamento é a sua melhor técnica de sobrevivência!

Como eu escrevi em outras oportunidades: não tenho nada a provar a ninguém, e você?

 

9 comentários para “Sobrevivência real e simulações

  1. Ariovaldo da Costa Foliene
    5 de dezembro de 2013 at 08:59

    Falou tudo, bem simples o texto e direto, tenho visto isso tambem pessoas que criam um ambiente hostil, para sair daquilo e provar que saber se virar.

    Na verdade aqui no Brasil estamos muito distantes de coisas, tipo furacão, terremoto, outros fenomenos naturais, que nos coloquem em risco, temos algumas tempestades, mas muito pouco estrago comprado a outros paises.

    Temos na verdade muitos fatores de risco na selva de pedra, assaltos, energia eletrica, bancos, mercados fechados, cartao que nao funciona, dinheiro limitado, tudo fica no banco, celular em pane, elevador, carro que nao pega, no dia a dia provamos muitas coisas, passando por este obstaculos.

    E as tecnicas de mato, nos ajudam a ficar mais atentos aqui mesmo na cidade. Olhar bem ao atravessar a rua, olho em motorista bebado.(loucos) etc. olhar onde pisa.

    Ari

  2. Fabio Luiz de Andrade Braga
    5 de dezembro de 2013 at 17:16

    Algumas das maiores proezas que conheço foram feitas por um navegador brasileiro muito arrojado, Amir Klink, acho que todos conhecem. Em seus livros ele fala que não é um aventureiro porque todas as suas viagens são planejadas. Isso me marcou muito.
    Tenho pavor quando acompanho alguns fóruns e algum esperto fala que tudo que levamos é besteira que só uma faca seria necessário. Provavelmente nunca saiu do apartamento e acompanha essas séries de TV. Algumas técnicas podem ser válidas mas não resolvem na maioria dos casos. A teoria ajuda mas a realidade varia muito.
    Já morei em região de cerrado, Diamantina e hoje estou na mata atlântica, Paraná. São totalmente diferentes e hoje por exemplo frequento um lugar de mata que não tem uma gota d’água, nem cipós com água, nada. Por outro lado chove o ano inteiro, é muito, muito difícil achar lenha para fogo. São situações em que a teoria começa a falhar e a experiência é que vale.
    Para resumir, PREPAREM-SE, não tenham vergonha nem preguiça de levar tudo o que é necessário para sua segurança porque a mãe natureza é uma mãe muito severa e não perdoa seus filhos mais corajosos. Gasparello, estou 100% de acordo com o que escreveu.
    Abraço
    Fabio

  3. José Luciano Gasparello Filho
    5 de dezembro de 2013 at 21:46

    Caro Fabio,

    Amyr Klink e Jacques Cousteau são fontes de inspiração pra mim!

    Abraço

  4. Márcio
    11 de dezembro de 2013 at 17:09

    Eu acho válido sim simular situaçãoes de sobrevivência. O risco existe mas é uma escolha de cada um, porém, como se trata de uma simulação, vale se informar sobre insetos e animais peçonhentos ou agressivos, levar um equipamento reserva e amigos como apoio. Treinando dessa forma, uma pessoa pode estar preparada para imprevistos futuros ou mesmo aperfeiçoar sua prática segura.

  5. Rodrigo
    16 de dezembro de 2013 at 12:28

    Excelente texto! Conheci por coincidência fazendo pesquisas no Google e estou gostando muito dos seus vídeos e textos. Você é sempre humilde e pé no chão e passa o conhecimento de forma simples o que facilita o aprendizado. Parabéns!

  6. Vivi Mar vivi_mar2005@ig.com.br
    10 de janeiro de 2014 at 19:20

    Muito interessante o blog. Somente hoje que li, e estou gostando muito dos textos, embora concorde e discorde em alguns aspectos, gostei demaisssss de todo o conteúdo. Parabens !!!!
    Abraços.
    Vivi

  7. Felipe
    17 de janeiro de 2014 at 22:08

    Falou tudo. Bom senso é o principal.
    A possibilidade de precisar das técnicas é mesmo remota, até que enfim alguém falou isso, e o que acaba acontecendo é q vc acaba usando elas numa situação comum, numa viajem, num passeio, etc. Já salvei um churrasco usando técnica de fogo. Fez alguma grande diferença? Não. Mas foi divertido. Aliás, todo mundo que está nessa é porque acha divertido, e isso não é motivo de vergonha pra ninguém.
    Parabéns pelo blog.

  8. 6 de setembro de 2014 at 17:58

    muita bom mesmo este canal !!!

  9. 12 de outubro de 2014 at 10:56

    Parabéns pelo trabalho cara!
    Passar o conhecimento adiante é a forma de nos tornarmos imortais.

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