Paineira, pata-de-vaca, pindaíba, embira-branca, corticeiras

Algumas vezes vou acampar com o objetivo de testar equipamentos de aventura, outras vezes levo a minha rede para o mato apenas para descansar junto à natureza, ler um livro. Outras vezes fico no mato para observar a natureza, experimentar se alguma planta poderia ser útil de alguma forma, e assim vou aprendendo e me divertindo.

No vídeo abaixo, em uma região de cerrado do noroeste de Minas Gerais, mostro um pouco do que fiz durante dois dias no mato observando e testando plantas. Coletei paina, proveniente de uma árvore chamada paineira, entre outros materiais, para auxiliar na produção de fogo com a pederneira. A paina é bem inflamável, portanto, útil para iniciar o fogo. Os frutos da paineira são ovoides e fáceis de identificar. Quando maduros, eclodem e caem no chão, deixando a paina à mostra, que por sua vez contém as sementes da paineira.

Após realizar o vídeo, pesquisei mais sobre as plantas que observei e utilizei. Uma das plantas parece ser a pata-de-vaca ou pé-de-boi. As plantas jovens forneceram boa fibra natural, mas também é uma espécie medicinal, com propriedades que vem sendo estudadas para o controle da diabetes.

Testei outra espécie que me forneceu uma boa fibra natural, na região a planta é popularmente conhecida como pindaíba, mas talvez ela também possa ser chamada de embira. Várias plantas no Brasil são conhecidas tanto por pindaíba quanto por embira, inclusive, existe uma planta que produz frutos comestíveis chamados de pindaíba. Lendo mais sobre o assunto, descobri que podemos chamar de embira qualquer planta ou fibra proveniente de plantas que sejam boas para cordoaria, mesmo assim, existem muitas plantas realmente conhecidas como embira, como é o caso da embira-branca, também chamada de pimenta-de-macaco. Quando eu estava perguntando para algumas pessoas sobre a identidade da pindaíba, dois me falaram desta forma: “ela dá embira, mas não é embira“.

Eu cheguei a publicar e remover este vídeo. Resolvi recolocá-lo com algumas informações a mais sobre a pindaíba. Um trecho novo é a comparação que faço da embira-branca com a planta que foi chamada de pindaíba.

Na sequencia do vídeo, também mostro com identificar algumas espécies corticeiras do cerrado.

É uma pena que o conhecimento popular sobre as plantas está se perdendo, e tudo o que é escrito não é muito fácil de encontrar. As pessoas mais jovens que moram no cerrado já não se interessam tanto pela natureza, talvez pelas facilidades da vida moderna. Eu prefiro ir na contra-mão da correria atual e tenho me divertido muito conhecendo e testando algumas propriedades úteis das plantas do cerrado.

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  • 3 comentários para “Paineira, pata-de-vaca, pindaíba, embira-branca, corticeiras

    1. Francisco Baptista
      20 de fevereiro de 2013 at 19:42

      Gasparello, em primeiro lugar parabens pela iniciativa! Tambem comecei a me interessar nas utilidades das plantas naturais, nao so propriedades medicinais, mas para producao de fibras para cordas, madeira para ferramentas, etc.

      Em seu video, voce comentou que se alguem tivesse alguma informação sobre as plantas que você encontrou, que respondesse nos comentarioos.

      A planta que voce chamou de embira branca é a Xylopia aromatica, da familia Anonnaceae, parente da graviola, fruta do conde, etc. A que estava do lado dela muito provavelmente é outra especie de Xylopia, embora sem flores seja mais dificil determinar com certeza.

      A planta comfolhas parecidas com uma pata de boi é realmente conhecida como Pata-de-vaca, do gênero Bauhinia, da família das Leguminosas. Plantas do gênero Bauhinia são muito comuns e utilizadas com frequência no paisagismo de ruas nas cidades.

      Um bom guia científico para identificação de plantas é o livro “Botânica Sistemática”, publicado pelo Instituto Plantarum, atualmente na sua terceira edição, e de preço bastante acessível em comparação a outros livros científicos do gênero, com muitas fotografias coloridas para ajudar na identificação.

      Abraços e boas caminhadas!

      • José Luciano Gasparello Filho
        21 de fevereiro de 2013 at 10:41

        Caro Francisco,

        Fico muito feliz quando os comentários são tão produtivos! Obrigado pela audiência e pela paciência para dividir seu conhecimento!

        Abraço

    2. 16 de julho de 2014 at 04:06

      Muito bom seu trabalho, parabéns

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