Opiniões divergentes

Fico feliz por atrair um público cada vez mais sensato, algo que percebo por algumas mensagens que recebo por email ou por alguns comentários bem elaborados e escritos. Não sou radical e não gosto de gente com o pensamento cartesiano. Há quem goste de técnicas de sobrevivência, e somente disso. Há quem goste de facas, e seu passatempo é somente esse. Por outro lado, existem aqueles que gostam de várias coisas, que dividem o seu tempo livre com várias atividades, e são essas pessoas que geralmente me dão um retorno interessante.

Nunca me auto-intitulei um especialista em nada, apenas falo de assuntos que gosto com o pouco que sei. Também detesto entrar em polêmicas pelas redes sociais. Se você sabe mais do que eu em determinado assunto, ótimo! É sempre bom ter pessoas com quem podemos aprender e evoluir. Meu site e meu canal estão repletos de mensagens bem intencionadas com pessoas fazendo excelentes observações, colaborando para aumentar o meu conhecimento e o das pessoas que acompanham meu trabalho.

O meu conhecimento é apenas o suficiente para me divertir e fazer boas escolhas de equipamentos para as diversas atividades que realizo nos momentos de folga. E estes parcos conhecimentos tenho o prazer em repassá-los, mesmo não sendo o grande especialista que as pessoas procuram. Não tenho tempo ou energia para ficar gastando com bobagens e discussões infinitas sobre o sexo dos anjos, por isso sou pouco engajado nas várias comunidades nas redes sociais, e também prefiro não gastar tempo com polêmicas em minhas próprias iniciativas na Internet. É inútil discutir com pombos.

Um assunto que parece mais aborrecer as pessoas enérgicas, que por algum motivo ainda leem meus textos e assistem aos meus vídeos, são minhas opiniões a respeito dos diversos programas de sobrevivência na TV. Tenho o direito de não gostar da maioria desses shows feitos apenas para entretenimento e que, infelizmente, não são voltados para a informação do mundo real. Tenho o direito de achar esquisitas as formas como estes programas incentivam as pessoas num caminho perigoso, fazendo parecer fácil o que é difícil. Esses programas de sobrevivência, com raras exceções, iludem as pessoas. Quando falo que não gosto do Bear Grylls, muitas vezes sou massacrado de forma grosseira por intermédio de críticos de Internet vorazes em defender seus heróis. Estou longe de me considerar melhor do que um cara como Grylls, nunca escondi que o considero como um sujeito extremamente bem preparado, só não acho ético a forma de apresentar seu show, que certamente irá influenciar ações de meninos impressionáveis. De qualquer forma, minhas opiniões são apenas opiniões, nada mais, nada menos. Ninguém é obrigado e prestigiar o meu conteúdo ou concordar comigo, mas devido ao tipo de pessoas que atraio, na maior parte do tempo meu público discorda comigo com elegância. Mensagens grosseiras, que são poucas, nem me dou ao trabalho de publicar, basta um click do mouse para mandar palavras funestas para a lata de lixo. Mas eu seria um tolo em vislumbrar que sou o único que sempre tem razão em tudo, então sempre publico opiniões divergentes, desde que escritas de forma educada.

Eu passei da idade de ter heróis, apenas aprecio uma pessoa ou outra, e geralmente são indivíduos que estão longe da TV por assinatura. Admiro pessoas que ajudaram a mudar a forma como o mundo via as coisas, como Charles Darwin, também admiro homens e mulheres de ação, como Roald Amundsen e Zilda Arns, cada um em seu quadrado. Também estimo tantos documentaristas praticamente anônimos, que sempre nos fizeram conhecer um mundo tão diferente e interessante.

O mundo é cheio de gente chata. Que bom que cada vez mais, meus textos são lidos por pessoas equilibradas e maduras. A vocês, muito obrigado por acompanhar meu trabalho e por exporem suas opiniões de modo tão generoso.

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12 comentários para “Opiniões divergentes

  1. Pasin
    30 de novembro de 2014 at 14:36

    Primeira vez que comento. Vou dar crédito a suas palavras pois penso da mesma forma. Só digo pra pessoa usar o cérebro, quando tentam algo idiota.

    Passei a acompanhar o blog por ter me interessado por carabinas, mas existem uma infinidade de boas informações aqui. São muito boas para orientação, obrigado pelo trabalho que está fazendo!

    • José Luciano Gasparello Filho
      30 de novembro de 2014 at 19:16

      Grato pelas palavras Pasin. Espero que aproveite os vários outros textos que disponibilizo!

  2. Luiz Poell
    30 de novembro de 2014 at 16:49

    Ótimo texto, Gasparello!

  3. Carlos Frederico Barbosa de Almeida
    30 de novembro de 2014 at 19:07

    Olá, Gasparello!

    Está bem colocado!
    Espero que continue a pesquisar, experimentar, demonstrar suas técnicas e habilidades aprendidas, fazer as divulgações em vídeo e/ou texto.
    Quanto aos “temas e assuntos que alguns consideram polêmicos”, sempre vão existir e fazer parte de todo e qualquer ramo de atividade.
    No mais, foi o que Você mencionou, quem estiver afim de aparecer, criar polêmica sem fundamento, rebeldia sem causa apenas por ser “chato” ou “chata” de natureza e nascença, basta dar um clique e excluir.
    Apoiado!

    Um abraço,

    Carlos Frederico

    • José Luciano Gasparello Filho
      30 de novembro de 2014 at 19:19

      Caro Carlos Frederico,

      Muito obrigado por dedicar parte do seu tempo fazendo estas observações!

      Abraço

      Gasparello

  4. HALLAN O BÁRBARO
    30 de novembro de 2014 at 19:38

    MUITO BOM. VALEU GASPARELLO

  5. 1 de dezembro de 2014 at 10:10

    Gostei de seu site, estes assuntos são bastante interessantes.
    Depois que acampei com meus filhos me apaixonei e vi uma maneira de fazer uma atividade com eles que também gostaram.
    Me empolguei tanto que fiz um blog que pretendo colocar nossas aventuras registradas lá.
    Abraço e paz para você.

  6. 1 de dezembro de 2014 at 11:30

    Boa reflexão e esta aí um recado para os críticos mais radicais que as vezes esquecem que vivemos em um regime democrático onde a liberdade de expressão deve ser respeitada a cima de tudo independente do assunto abordado.

    Abs.

  7. Tiago Santos
    2 de dezembro de 2014 at 22:45

    “O mundo é cheio de gente chata. Que bom que cada vez mais, meus textos são lidos por pessoas equilibradas e maduras.”
    Disse tudo! Tem muita gente na internet e no youtube,que não sabe nem afiar uma faca, que vai para o mato com uma mochila cheia de xexexes se achando o sobrevivente e na primeira hora sente falta da TV e do PC, e pior quando falamos de seus “heróis” se transformam em leões.
    Respeito muito o Bear Grylls, e também acho que a postura deveria ser mais positiva e instrutiva em seus programas, mas audiência se ganha com fantasias e manipulações!!
    Um abraço!!! E o que achou da Serra Gaúcha nas férias!!!!

    • José Luciano Gasparello Filho
      3 de dezembro de 2014 at 13:53

      Caro Tiago,

      Se dependesse só de mim, já tinha chutado o balde do meu trabalho no Planalto Central e estava morando lá na serra! Fui dois anos seguidos e espero ter a oportunidade de voltar mais vezes!

      Abraço

  8. Ernesto Sánchez Pérez
    5 de dezembro de 2014 at 18:23

    Fique tranquilo amigo Gasparello, já percebemos que você é um cara legal, que gosta do que nós também gostamos, não é arrogante nem convencido. Está fazendo um trabalho de divulgação excelente e todos nós estamos desfrutando desse seu conhecimento e aprendendo muito. Continue com esse seu trabalho, que ao meu ver é um dos melhores. Parabéns.

  9. Giani Carpi
    25 de setembro de 2016 at 16:41

    Gasparello: Tempos atrá eu li que em nosso país não estamos acostumados ao debate. Qualquer crítica é sempre considerada como um ataque pessoal. O mesmo não se dá em outros países notadamente a França onde eles discutem sobre tudo, o tempo todo. Vivemos a era do “políticamente correto”. E a verdade, muitas vezes, permanece escondida na penumbra dos guetos culturais. Vamos ao assunto: Concordo qdo vc diz que esses programas não refletem a realidade. Muitos deles, de fato, fazem tudo parecer uma brincadeira. É comum os protagonistas aparecerem segurando cobras peçonhentas pelo rabo e coisas do tipo. O Bear Grills faz tudo apressadamente, parece estar fugindo de um grupo de guerrilheiros. Desce correndo de encostas de montanhas escarpadas, cheias de cascalho e rochas soltas. Quando está na beira de cachoeiras, pula de uma pedra escorregadia, molhada e cheia de limo, para outra. Vive saltando precipícios. Tudo por conta de sua experiência em “parkour”. Fico imaginando uma queda ocasionando uma fratura exposta ou uma torção no calcanhar. Come insetos crus e outras coisas que podem conter bactérias e vermes, sem alertar o perigo. O que eu quero chamar a atenção é que ele tem toda uma equipe por trás das câmeras. Qualquer eventualidade, ele será rapidamente evacuado para um hospital. Existe até um programa em que o apresentador insiste em afirmar que será deixado só, num local isolado. Ele sempre diz que ficará só, com sua câmera, para filmar a si mesmo. O expectador comum poderá acreditar. Mas alguém com experiência em filmagem perceberá, a utilização de várias câmeras, especialmente em cenas de mais ação, quando ele não poderia filmar sequencialmente em vários ângulos e distância. Ou seja: por trás dele há uma equipe, sem contar que todos levam equipamento de rádio comunicação. Eu até assisto, mas não acho muito profissional a atitude deles, fazendo tudo parecer seguro é fácil. Parabéns, Gasparello. Continue sendo politicamente incorreto.

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