Ondas do rádio podem ajudar no seu socorro

Texto enviado pelo jornalista Arlison Brito.

A opinião final sobre técnicas de sobrevivência vem ao longo do tempo se delineando para uma única frase: faça de tudo para nunca usá-las. No entanto, o mato é em minha opinião o cenário que mais atrai aquele velho clichê “imprevistos acontecem”.

Quando de uma situação crítica, passamos a usar os equipamentos e acessórios destinados para esses momentos, mas por tradição a quantidade desses recursos é programada para um período no qual julgamos ser suficiente para a chegada do resgate.  O grande problema é que nunca se sabe o tempo médio que se leva para encontrar uma pessoa perdida no meio da mata, por exemplo. Por isso, a localização e a comunicação com  vítimas nessas condições ganham cada vez mais destaque nas rodadas de discussão sobre o tema.

Para otimizar esse complexo processo de forma simples e barata, pousadas, hotéis fazenda e órgãos de segurança pública de cidades com potencial turístico de diversos estados brasileiros, estão começando a usar o que já é comum na Europa e nos Estados Unidos: a Rede de Usuários de Radio de Uso Geral (Urge). Um serviço gratuito de comunicação que transmite informações de utilidade pública e ajuda turistas e aventureiros em situação de risco.

A ideia da Urge é simples, um grupo de empresários locais, membros das forças policiais e de resgate fazem a aquisição do par de rádios.  Todos os atores sintonizam os aparelhos na mesma frequência, a partir deste momento se forma uma rede compromissada em ajudar. Ao chegar à localidade, o turista é informado sobre o serviço, se ele tiver interesse,  automaticamente é inserido no grupo. Em determinados estados alguns estabelecimentos alugam o rádio.

No Brasil, esses rádios são fáceis de serem encontrados no mercado. A maior vantagem é que independente da marca, todos conversam entre si, pois a legislação obriga os fabricantes a usarem o mesmo tipo de banda na recepção e transmissão. Muito se comenta sobre o desempenho desses aparelhos em locais fechados ou onde existe grande interferência de outros sinais, por isso vale salientar que a Urge quebra as barreiras técnicas de forma natural. Ocorre que a incorporação de vários aparelhos cria uma central de repetição de informações. Diante de um sinistro, os atores repetem a mensagem, característica que torna a comunicação eficaz.

 

MAIS

Como encontrar o canal de uma Urge?

Busque informações em delegacias de policias, batalhões do Corpo de Bombeiros, pousadas, hotéis fazenda, etc.

E necessário fazer algum registro junto a ANATEL?

Não. Tanto a aquisição quanto o porte deste tipo de transceptor são permitidos. Veja mais informações no texto da resolução nº506 de 2008 da ANATEL.

Onde se encontra este tipo de radio e quanto custa?

Supermercados, feiras, lojas de eletrônicos e de equipamentos de telecomunicações. O preço varia de R$ 150 a 300.

O equipamento requer revisão técnica ou pagamento de algum tipo de taxa ou mensalidade?

A comunicação é direta, ou seja, não precisa pagar nada para se usar. Por experiência própria, diante de uma pane o melhor a se fazer é comprar outro par. A maioria das marcas oferecem modelos que operam com baterias recarregáveis que tem duração média de 8 horas (vide manual). Os fabricantes de referência oferecem ainda a possibilidade de se usar pilhas AA.

Um forte abraço para todos.

Arlison Brito

Arlison Brito, 24 anos, é Jornalista Profissional baseado em Brasília e amante das comunicações por rádio. Se prepara para  o sua primeira aventura na mata.

Leia também: Rádio comunicador Mj270mr Motorola

Para saber mais: https://sites.google.com/site/redeurge/

 

 

 

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1 comentário para “Ondas do rádio podem ajudar no seu socorro

  1. Henrique Siqueira
    19 de fevereiro de 2014 at 20:53

    Sobre esse tal de URGE, é bem bacana, mas o mais vale, na minha opinião, não é nem o fato deles usarem rádios “populares”, de baixo custo, mas sim o comprometimento de prestar as informações necessárias e relevantes sem que a rede se quebre, pois como diz bem o texto, essa rede é torna eficiente a comunicação, uma vez que existem muitas limitações de alcance e potência nesses radinhos de UHF que operam na média em 462,7 MHz.

    Aqui em terras tupiniquins, tempos atras eu costumava (na verdade era um vício) operar um PX em Am +/- 27MHz e nesses rádios, que geralmente ficam em carros e caminhões, tem uma canaleta reservada para emergências (canaleta 9), na qual ninguém podia operar. Nessa canaleta 9, em tese, seria destinada somente para informações relevantes a respeito de acidentes, calamidades públicas, pedidos de socorro, onde o indivíduo faria uso da rede em busca de ajuda. Nunca vi isso funcionar, também que graça teria ficar curujando(ouvindo) uma canaleta quase morta!

    Uma vez eu troquei uma ideia como Batata sobre (quase) isso, ele falava da troca de mantimentos entre várias famílias produtoras em um senário de crise. Eu ressaltei a importância da criação de uma rede de comunicação que facilitaria muito essas trocas não só de mantimentos, mas também de informações sobre a gravidade da situação como um todo.

    A conclusão que cheguei, pelo menos para o momento, é que os equipamento aqui custam muito mai caro que em qualquer lugar do mundo e que a maioria das pessoas, na minha opinião, não iriam gastar dinheiro com isso. Eu ainda penso em ter minha estação de rádio.

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