O YouTube e a inclusão digital

Garanto que muita gente trabalhando sério no YouTube gostaria de figurar na página inicial por algumas horas. Isso ajudaria muito na divulgação de um canal. É fato que os canais nesta rede social são bem variados e dificilmente contemplam o gosto popular. Chamo de gosto popular – ou mau gosto, dependendo do ponto de vista – o Domingão do Faustão, por exemplo, entre tantos outros programas de auditório. Mas o que seria do azul de todos gostassem do amarelo. Acho que sou um cara muito chato mesmo, não gosto de futebol, boteco ou carnaval. Por raramente assistir a TV aberta não conheço os artistas ou músicas “do momento”. Não conheço as celebridades do BBB, e assim por diante. Provavelmente, o errado neste mundo seja eu.

Tanto o congresso nacional quanto o que aparece em destaque na página inicial do YouTube são um reflexo do povo brasileiro, ou seja, o que a maioria gosta de assistir. O YouTube é chato pra caramba e volta-e-meia fica pedindo confirmação se tenho os direitos de imagem sobre os vídeos que eu mesmo apareço o tempo todo, mas não é capaz de controlar os vídeos de sua página inicial. Pode colocar o vídeo do gênero musical que eles quiserem, mas por favor, não exagerem no “gosto popular”.  Provavelmente o que figura na página inicial é feito de forma automática, mas tal qual existem pessoas do YouTube trabalhando para vender publicidade ou defender os direitos autorais, que coloquem alguém para controlar os excessos de pessoas querendo aparecer sem se importar com qualquer limite moral.

O que me motivou a escrever esta postagem é o fato de nunca ter a possibilidade de registrar um vídeo em destaque na página inicial, salvo no perfil daquelas pessoas que já estão inscritas no meu canal, o que não ajuda em nada a conseguir uma nova audiência. Por outro lado,  um vídeo de uma criança capitaneada por um adulto falando palavrões de cunho sexual ficou por horas em destaque. É o vídeo Medley – MC Emmanuel Aquino (O Mestre da Putaria) – não vou me dar o trabalho de colocar o link aqui, se ficar curioso, procure.

A parte boa do YouTube é que você não é obrigado a assistir, mesmo assim não fico feliz em ver porcarias figurando na página inicial. Acredito que a forte campanha pela inclusão digital sem antes melhorar o ensino básico acaba por favorecer este tipo de coisa.

Como diria meu saudoso avô: “esse mundo tá virado”!

5 comentários para “O YouTube e a inclusão digital

  1. William
    27 de novembro de 2013 at 11:03

    Olá José!
    Sobre o seu texto só posso afirmar uma coisa, somos dois errados nesse mundo kkk.
    Eu conheço mais alguns, espero que exista mais, e que final possamos ver que não éramos os errados por não gostar de certos tipos de “conteúdos”.

  2. Clovis Davoli
    27 de novembro de 2013 at 21:14

    Somos 3! E parabéns pelo texto.

  3. 27 de novembro de 2013 at 22:43

    Infelizmente é o que o povo gosta, a máxima “pão e circo” nunca vai sair da moda. O senso crítico e a consciência política do brasileiro valoriza tiririca, marginais e suas letras de funk e mulheres vulgares. E o salário de um professor………..Deixa pra lá.

  4. José Luciano Gasparello Filho
    28 de novembro de 2013 at 10:07

    Vídeo em destaque do dia 27/11/2013 – Como tirar o mau cheiro da perseguida;
    Em destaque no dia 28/11/2013 – Se a bosta tivesse pronta ele tinha cagado

  5. Luiz Souza
    2 de dezembro de 2013 at 19:45

    A questão é muito ampla e vai mais longe do que vocês imaginam. Não sou preconceituoso ou radical, mas existem algumas questões que só funcionam se fossem normatizadas. O uso da internet é uma delas. Já enviei a um deputado federal que partilha da mesma ideologia uma sugestão para a pauta de um projeto.
    Uma habilitação para o uso da internet. Sim, como uma habilitação para conduzir veículos automotores.
    Exemplo: Para ter uma habilitação para usar a internet você deve fazer um curso teórico e prático em vários níveis.
    Como apenas para navegar (Categoria A), navegar e comprar (Categoria B), navegar comprar e postar na internet (Categoria C) etc. Por mais absurdo que possa parecer pense sobre o assunto! Não quero cesura ou limite de idade para o uso, mas gostaria de pessoas mais preparadas, que se aculturassem antes de expor a vida de um filho publicamente. Comercialmente também seria muito interessante. Comprar pela internet é tão prejudicial no Brasil quanto as cargas de impostos para as empresas. Pois as mesmas leis que favorecem os consumidores de bem favorecem os analfabetos digitais que compram sem ler as especificações, sofrem de ansiedade, tem algum desequilíbrio mental e agem de má fé, sujando o nome de empresas por marra, birras e até caprichos.

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