O Jardim Zoológico de Brasília

Zoológicos despertam amor e ódio nas pessoas, ainda mais em dias aonde a necessidade de preservação e o respeito a todos os seres vivos estão tão em evidência. Existe o lado cruel de manter animais em cativeiro, mas também o lado educacional, em que podemos observar de perto aqueles animais que dificilmente teríamos a oportunidade de ver em outras situações.

O Zoológico de Brasília se esforça na parte educacional. Além da simples exposição de animais, o local possui um pequeno museu, com animais empalhados e ossadas, facilitando a observação mais aprofundada de alguns animais. Pelo site, é possível observar que também existem visitas guiadas para estudantes.

Como em outros locais públicos que visito no Distrito Federal, muitas das placas que deveriam identificar as espécies estão danificadas ou simplesmente depredadas, provavelmente fruto do vandalismo dos próprios visitantes. Mas o preço simbólico de acesso, que hoje (15/02/2015) custa R$2,00 por pessoa, poderia ajudar a manter estas informações em dia. Nestes casos, os animais perdem sua liberdade sem função alguma, além da simples exposição e divertimento dos visitantes.

Várias placas de identificação estão depredadas.

Ver um rinoceronte sem as grades deve ser uma experiência um tanto intimidadora.

Cachorro do mato, observando os humanos.

O simpático mangusto.

Existem muitas aves espalhadas pelo zoológico, obviamente, grande parte delas estão enjauladas, mas outras, caminham e voam livremente. No domingo de carnaval, o local logo encheu de gente, muitos aproveitam as sombras das árvores para descansar em redes ou para fazer piqueniques. É um passeio agradável para toda a família. Um mapa disponível na Internet faz com que o zoo pareça maior do que realmente é. Na verdade, é possível andar por todos os cantos tranquilamente em uma manhã. Banheiros e vendedores ambulantes garantem que as necessidades básicas sejam atendidas.

Ave presa.

Ave livre, tirando uma onda dos outros bichos que estão presos.

Fui ao zoológico com a intenção de visitar o serpentário e aprender a diferenciar as várias espécies de serpentes peçonhentas do Cerrado. Pela lista de espécimes disponível na Internet, achei que veria muitas cobras diferentes, principalmente as jararacas (Bothrops spp.), mas grande parte elencada no site do Jardim Zoológico de Brasília não estava em exposição. Existem, sim, muitas serpentes para ver, mas só três jararacas estavam sendo exibidas: a caiçaca (Bothrops moojeni), a jararaca-pintada (Bothrops neuwiedi) e a cotiarinha (Bothrops itapetiningae). Dentre as peçonhentas, também haviam algumas cascavéis (Crotalus durissus). Muitos compartimentos identificados com os nomes de serpentes estavam vazios. Por outro lado, o passeio não foi perdido nesse sentido. Consegui boas fotos das caiçacas e cascavéis, além de ver pela primeira vez, de perto, a papagaia (Corallus batesii).

De minha parte, foi uma surpresa perceber o serpentário tão disputado pelos visitantes quanto os fossos dos grandes felinos. Um dos meus objetivos era o de fotografar a fosseta loreal dos viperídeos (presente nas jararacas, nas cascavéis e nas surucucus-pico-de-jaca) e a fosseta labial dos boídeos (presente nas jiboias, nas papagaias e nas sucuris). Só consegui fotografar a fosseta loreal. Outro dia retorno lá para conseguir as fotos faltantes. Melhor ainda se conseguir encontrar boídeos (como por exemplo, as jiboias) em ambiente natural para esta tarefa!

A serpente papagaia. A foto traz o reflexo de algum visitante.

Cotiarinha no vidro do serpentário.

Vejam só que contradição a minha. Gostei de ver as serpentes cativas, que me ajudaram de alguma forma a aprender mais sobre estes animais, mas não gosto de ver os primatas e os grandes felinos enjaulados. É claro que nenhum animal é mais importante que outro, mesmo as imperceptíveis bactérias têm sua função nos vários ecossistemas. Mas os seres humanos são assim, cheios de contradições.

Bugio, pensativo no cativeiro.

Suçuarana, mergulhada em seu tédio.

Onça-preta, sem animais para predar.

Os tigres de bengala. Com pouco espaço. Pelo menos não eram jaulas convencionais.

Este leão em nada lembra um rei.

Crânio de sucuri, no museu do Zoológico.

Crânio de hipopótamo. O zoológico com função educacional.

O Zoológico de Brasília possui muitos locais arborizados aonde podemos descansar ou até mesmo caminhar durante o passeio, tornando a jornada agradável. Com o acesso a custos simbólicos, é uma boa opção, tanto para divertir as crianças, como para adquirir mais conhecimento sobre o mundo natural. Recomendo.

Para saber mais:

3 comentários para “O Jardim Zoológico de Brasília

  1. Luiza Campello
    16 de fevereiro de 2015 at 13:29

    Sempre tive também um sentimento contraditório com relação aos zoológico. Ao mesmo tempo que me dá asco os animais presos eu entendo que apenas olhar eles também nos causa outros sentimentos de respeito, admiração e medo. Certa ocasião tive a oportunidade de ir no zoológico de Santiago no Chile. Os animais enjaulados me deixavam nervosa! O que fizeram para merecer isso? Mas ao mesmo tempo me causava um fascínio. Fiquei muito tempo observando ao vivo aquilo que normalmente vejo apenas pelo Animal Planet e não tem como ficar indiferente à imponência de alguns deles! São animais incríveis! Em certo momento, caminhando pelo zoólogico o leão rugiu. Estava longe, mas ouvi alto, todo o zoológico ouviu! Era como se o chão tremesse e levantou todos os pelos do meu corpo instintivamente. Por um segundo parei de respirar. Nunca vou esquecer aquele som e a forma como meu corpo reagiu instintivamente. Algo que mal posso explicar.
    É muita pequenice nossa querer ver esses animais que de outra forma não veríamos? É muito egoísmo manter eles presos apenas para saciar nossa curiosidade.
    Confesso que tenho minha curiosidade sobre os animais, acho que se tiverem políticas e espaços adequados poderiam ser ambientes de aprendizagem. Mas se os animais não tem espaço, se são maltratados, ou se não possui uma eficiente função educativa, o zoológico deveria ser proibido de funcionar. Nada justifica a simples exposição de animais enjaulados, abatidos, sem mais explicações.

    • José Luciano Gasparello Filho
      16 de fevereiro de 2015 at 16:49

      Pois é Luiza,

      A função educacional precisa existir num zoológico para justificar sua existência!

      Abraço

  2. alberto gomes de brito
    30 de maio de 2016 at 18:19

    Precisamos realmente refletir acerca das justificativas que norteiam a existência de instituições que captam animais de “vida livre”, O s animais que entram nos Zoológicos modernos, são em sua maioria de apreensão, resgate de fauna (maioria de construção de grandes empreendimentos como hidrelétricas), atropelamentos, fragmentação de ecossistemas, circos…. A maior parte desses animais não teria sucesso em caso de eventual soltura…. Trabalho em zoológico (Brasilia) e a maior parte de nós servidores também nos sensibilizamos cada vez que entra um animal aqui….A grande reflexão é o motivo pelo qual os animais entram em um zoológico e a parcela de culpa de cada um de nos nesse desenfreado processo de crescimento populacional e desenvolvimento????????
    Alberto Brito

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