Mitsubishi TR4

TR4 do meu amigo Márcio, saltando nas Dunas do litoral norte de Natal.

Quem sai de um carro de passeio e anda pela primeira vez num jipe TR4 irá estranhar a dureza do carro. Longe de ser uma crítica, esta é uma constatação, uma vez que você estará dirigindo um autêntico jipe!

Há quem ame e quem odeie o carro, eu estou entre aqueles que gostam bastante do veículo. A principal reclamação dos proprietários é em relação ao atendimento ruim das concessionárias Mitsubishi espalhadas pelo Brasil. Em Brasília, confesso que não tive transtornos neste sentido, apesar de enfrentar alguns problemas pontuais com o carro zero. Tive um modelo 2009. Minha principal reclamação foi que, após seis meses da compra, um novo modelo entrou no mercado. Apesar de ter procurado por sinais de uma reestilização, não encontrei nada que indicasse uma mudança radical, mas foi o que aconteceu.

O meu modelo ainda tinha os faróis redondos e o bagageiro ainda era um opcional, algo que mudou com a chegada do modelo 2010, com faróis retangulares e bagageiro como item de série. O que me acalmou, é que eu gosto de faróis redondos, algo mais clássico quando estamos dirigindo um jipe. Contudo, entre as poucas reclamações que tenho do carro, uma delas está relacionada à luminosidade dos faróis. Achei um tanto fracos. Outro problema que enfrentei foi a entrada de água da chuva pelo limpador do para-brisa dianteiro, na parte do carona, algo que um amigo, já com modelo novo, também enfrentou. Este problema foi resolvido na primeira revisão. O porta-malas é pequeno, mas como os bancos são facilmente rebatidos e não tenho filhos, isso nunca foi problema pra mim. Se você tem a família grande, talvez este não seja o melhor veículo para você.

O meu modelo 2009 já tinha motor flex, algo que até hoje acho uma porcaria. É possível construir carros com motor exclusivamente à gasolina mais econômicos que os modelos flex. A partir do modelo 2010, dizem que o carro veio aproximadamente 10% mais econômico, algo que ainda não pude comprovar.

Meu TR4 2009. Saudades da versatilidade!

Meu carro tinha câmbio mecânico. Quem possui a versão com o câmbio automático reclama um pouco do desempenho do carro na estrada. Eu não tive reclamações.

Agora a parte que me encantou no veículo. O sistema de tração da Mitsubishi é muito bom. O TR4 conta com quatro alternativas de uso da tração: 4×2, 4×4 on-road, 4×4 off-road e 4×4 reduzida. Devido à presença do diferencial central, você pode utilizar o 4X4 on-road até mesmo no asfalto. Acostumei no uso deste sistema de tração quando as chuvas iniciavam, momento que o asfalto fica mais escorregadio. Quando vendi o carro senti bastante a falta deste recurso. Viajei muito com o jipe TR4 por estradas de terra e também ensaiei algumas trilhas leves. Gostei muito do desempenho fora-de-estrada.

Para uso urbano, à exceção do alto consumo, o carro é excelente. Ágil, estreito, fácil de estacionar e manobrar. Gosto de veículos econômicos, mas este não é um bom atributo no TR4. Dirigindo de forma a economizar ao máximo, conseguia fazer a média de 9km/l na estrada, um consumo um tanto alto para um carro tão pequeno. Para conseguir 9km/l o esforço foi sobre-humano, não é um número fácil de obter. Pelo menos, não era, até o modelo 2009. Se você dirige com pressa, com o pé pesado, você pode ter alguns sustos com o consumo na casa de 6 a 7km/l no uso urbano, com ar condicionado. Com o meu modo mais calmo de dirigir, eu conseguia uma boa autonomia com o tanque de 70 litros.

Veja os comentários do meu amigo Márcio, proprietário da TR4 saltitante, aquela da primeira foto que ilustra o texto: “é uma tr4 2013 automática. A Mitsubishi só faz a versão 4×4 dela com câmbio automático. Não tem mais versão manual. É um cambio de 4 marchas, o que deixa o carro meio amarrado na hora que você precisa fazer uma ultrapassagem na estrada. Mas, mesmo assim, ela anda bem. O câmbio também atrapalha um pouco no off-road, quando você precisa que o carro desenvolva um pouco mais. Mesmo assim, estou satisfeito pra caramba com o carro. É bem robusto e não apenas um “jipinho feito para passear”. Ele aguenta bem o tranco.

Minha opinião: É um carro versátil, ideal para quem busca um veículo ágil no uso urbano e com boa desenvoltura no fora de estrada. Compraria novamente, só estou esperando uma versão menos beberrona! A Pajero Dakar HPE 2014 já vem com borboletas para as trocas de marcha, quem sabe a TR4 2015 possa vir com este mimo!

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3 comentários para “Mitsubishi TR4

  1. Fabio Luiz de Andrade Braga
    19 de fevereiro de 2014 at 16:18

    Esse câmbio automático de 4 marchas só tem 2 vantagens, gastar muito mais gasolina pela falta da 5ª marcha e diminuir a velocidade final no asfalto o que para viagens longas é muito cansativo. Para andar na mesma velocidade tem que estar com giro muito mais alto. Estive na Europa e me assustei quando vi que TODOS os carros que temos aqui são vendidos lá com motor turbo e cambio de 6 marchas. O ferramental ultrapassado vai para onde?
    Esta semana estou trocando minha TR4 por outra, só que usada, por causa do câmbio que faço questão de ser manual. O carro é bom mas só posso sonhar com a volta de um cambio melhor.
    Abraço
    Fabio

  2. 9 de outubro de 2014 at 12:54

    Tenho uma Tr4 2007 automatica, e uso ela para viagens da bahia a são paulo 3x no ano, algumas trilhas leves e praia. Gosto do carro, robusto o cambio automático da um certo conforto na cidade e na estrada é o que todos reclamam, mas eu não acho ruim de ultrapassagens não, uma vez que o conversor de troque trabalha direito e para ultrapassagem voce não precisa de 5a marcha. Realmente a velocidade de cruzeiro dela é 110km/h com 3000rpm acima disso voce esta jogando fora combustível e se estressado dentro do carro, afinal é um jipe. Não é feito para correr como um sedan. é ter paciência e curtir a paisagem. Penso muito em comprar um troller, mas como segundo carro, só que depois da leitura da sua saga, eu tenho ficado com o pé atras. Pq até o momento a tr4 passou onde o troller passou, nunca precisei de apoio para me desatolarem. Grande abraço

    • 9 de outubro de 2014 at 13:13

      Se não fosse o alto consumo, eu ainda teria meu jipe TR4.

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