Mandacaru (Cereus jamacaru)

Essa cactácea chega a atingir aproximadamente 5 m de altura preferindo terrenos rochosos. De caule suculento armazena muita água para que a planta resista aos rigores do clima semi-árido. Tanto a quantidade quanto o tamanho dos espinhos são menores que no xiquexique, mas não menos preocupantes. Muito utilizado pelo sertanejo como forragem para animais de criação (gado bovino, caprino, dentre outros) nos períodos de escassez. Os ramos mais novos são mais macios, facilitando a extração da água que é salobra, mas uma alternativa para aplacar a sede em casos de emergência.

O fruto surge no período chuvoso. Uma baga alongada, de cor vermelha quando maduro, chegando a 10 cm de comprimento. A polpa é bem saborosa, adocicada e repleta de pequenas sementes pretas, sendo muito apreciado pelos animais da caatinga. Particularmente acho muito saboroso e costumo sair para colhê-los na temporada. Hoje é cultivado nas residências não só como ornamento, mas também pelo fruto como iguaria exótica.
O manejo requer muitos cuidados, devido aos espinhos afiados e o porte da planta que atinge tamanhos grandes, ficando os ramos mais novos e suculentos a alturas que dificulta o acesso. Sempre uso galhos em forma de espeto para sustentar o ramo que me interessa, evitando que ao cortar, despenque e me atinja. Para coletar o fruto que não está ao alcance da mão, aconselho um galho com uma forquilha para derrubar. Evite puxar os ramos mais altos em sua direção, pois é fácil se partirem nas junções.
Apesar dos espinhos menores, todo cuidado é pouco. Já tive uma desagradável experiência onde apenas um arranhão foi suficiente para infeccionar e me render um ferimento trabalhoso que curei com Mufumbo, outra planta comum na caatinga com propriedade antiinflamatória.

 

 

 

Gilberto Pinheiro da Rocha. Reside em Hidrolândia/CE – sertão semi-árido.

Prof. de geografia e história. Colaborador na ASPEN (Associação dos Praticantes de Esportes da Natureza) – Sobral/CE

 

 

 

4 comentários para “Mandacaru (Cereus jamacaru)

  1. CR2011VSF
    5 de outubro de 2012 at 22:49

    Conheci recentemente o canal no youtube do Gilberto e me surpreendi com a sua qualidade, tem muito com o que contribuir ainda. Abs

  2. Gilberto Pinheiro da Rocha
    6 de outubro de 2012 at 00:49

    Agradeço e espero contribuir sempre.

  3. José Luciano Gasparello Filho
    27 de janeiro de 2014 at 11:00

    O mandacaru e o xique-xique são bem diferentes. A foto do artigo está correta.

  4. Marcelino Carvalho de Brito
    19 de agosto de 2018 at 20:30

    Mandacaru, Cereus Jamacaru

    Cactácea de resistência tamanha, sobrevivente de terras quase sempre rochosas, cultivada pela natureza maltratada, que busca em ti água que é vida, armazenada em teu caule que resiste a um semi-árido que sofre com o escaldo do sol em teu solo.
    Alimento de muitas vidas em tempo de escassez, forragem para a criação que clama ao sertanejo por comida, ramos novos, maciez que facilita na extração da água salobra que mata a sede em situação estrema de agonia emergencial, de um sertão tostado.
    Com a chuva teus frutos surgem adocicados, com polpa saborosa e sementes pequenas e pretas, baga alongada de cor avermelhada quando maduro está, iguarias de uma gastronômica exótica que do mandacaru receitas surgiram.
    Espinhos que doe se furar, Gilberto Rocha que o diga, geografia formou-se, mandacaru bem falou, professor em Hidrolândia no Sertão ele adentrou conheceu varias espécies do cacto cereus narrou

    Marcelino Brito – Escritor/poeta, sertanejo de Arcoverde em Pernambuco, residente em Maceió/AL.( Achei bem interessante sua narrativa sobre o mandacaru, parabéns! Espero que goste da poesia).

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