Grupo Conta Drama de Ficar Perdido na Floresta Amazônica

A Notícia é velha, de 20 de maio de 2006, mas é interessante para alertar as pessoas que nem tudo é tão fácil quanto parece. Segue o texto:

“Uma equipe do Fantástico passou uma noite na selva para mostrar o que acontece com quem se perde na mata fechada. Nesta semana, um grupo de turistas ficou perdido na Floresta Amazônica.
Um labirinto feito por emaranhados de folhas, galhos e troncos. Andar pela Floresta Amazônica, decididamente, não é para qualquer um. Só as cordilheiras geladas são lugares tão difíceis como essas matas quando o assunto é resgate de desaparecidos.
A experiência adquirida no Canadá, Estados Unidos e Israel levou Maurício Barbosa a montar cursos de salvamento para militares e profissionais da saúde. Nas mochilas: cordas, lanternas, material de primeiros-socorros. Com esses anjos do resgate, os repórteres do Fantástico conheceram um pouco dos desafios de adentrar uma floresta tropical.
Se com dia claro não dá para enxergar mais que 20 metros à frente, imagine à noite. O certo é sempre levar um mateiro da região como guia. “Se quem não conhece nada não levar um guia, vai estar procurando a morte”, alerta o instrutor de selva José Barbosa.
A primeira regra é: o grupo deve andar sempre junto. “Nunca é aconselhável se dividir dentro da floresta. Nunca”, diz o paramédico Maurício Araújo.
Esse erro quase foi fatal para o grupo do cônsul da Holanda em Manaus, Ilko Menev. Ele era um dos cinco homens que esta semana foram resgatados na Amazônia depois de passar quatro dias perdidos na floresta. “Todo mundo ficou muito cansado e nós achamos que a nossa chance era os dois que estavam fisicamente melhor andarem mais um pouco no caiaque e telefonarem, era nossa melhor opção. Por isso, decidimos nos separar”, explica o cônsul.
“Nós já tínhamos feito algumas expedições, que eu considerava parecidas, e tivemos sucesso. Então, começamos a nos tornar displicentes”, diz o empresário Denis Minev. O grupo enfrentou correntezas e áreas pantanosas.
“Achávamos que estávamos em um rio, e estávamos em outro. Nós só soubemos que estávamos no rio errado quando fomos resgatados”, conta o gerente de informática Francinaldo Bandeira.
Os aventureiros não puderam contar com seus equipamentos de orientação, porque uma nuvem impedia a localização clara no mapa de satélite conseguido na internet. A cobertura das copas das árvores não deixava que chegasse sinal para o telefone, nem para o GPS, que só funcionam via satélite.
“O GPS está fazendo um rastreamento, mas não consegue localizar. Esse aparelho não serve na floresta. A bússola comum funciona bem porque não depende do satélite, só do imã”, conta um dos guias.
O problema é que a região do Rio Preto é toda alagada. Ainda por cima, chovia muito e eles não tinham mais roupas secas. Com o passar dos dias, foram abandonando pelo caminho quase todos os equipamentos, para diminuir o peso. Sobraram as mochilas, uma barraca, alguns suprimentos básicos e a sinfonia da noite na total escuridão. Os ruídos são muitos. Eles parecem crescer na imaginação, porque não se vê o que a floresta esconde na noite.
“Você acorda às 3h e está muito frio. Ainda faltam quatro horas e você não sabe o que fazer para que elas terminem. E você está sendo constantemente atacado pelos mosquitos. Os principais animais que nos incomodam na floresta são os menores”, conta Denis.
Ilko, Raimundo e Francinaldo foram resgatados na terça-feira por homens do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar, depois de localizados por um helicóptero particular. Denis e Ricardo só saíram da mata na quarta-feira com a ajuda do Exército e da Aeronáutica. Como era praticamente impossível chegar por terra, eles foram resgatados pela equipe de salvamente aéreo usando cordas e equipamentos de rapel.
Da experiência, que teve um final feliz, ficou um enorme sentimento de gratidão. “Os heróis estavam no Exército, na Marinha, na Aeronáutica, no Corpo de Bombeiros, nas polícias Civil e Militar, entre nossos amigos e familiares. Todos eles fizeram muito mais do que o esperado, e eu vou ser grato para o resto da vida por isso”, declara Denis Minev.”

Fonte: http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,AA1364659-5598,00-GRUPO+CONTA+DRAMA+DE+FICAR+PERDIDO+NA+FLORESTA+AMAZONICA.html

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3 comentários para “Grupo Conta Drama de Ficar Perdido na Floresta Amazônica

  1. Carlos Frederico Barbosa de Almeida
    27 de junho de 2014 at 23:56

    Boa noite Senhores!
    Gasparello, eu assisti esse caso no programa “Sobrevivi para contar” do Discovery Channel.
    Foi um grande aprendizado e abriu muitos horizontes, esclareceu muita coisa…
    Os caras estavam em expedição, com equipamento completo para a aventura, alguns já tinham ido ao lugar destino, estavam de posse de mapas geográficos, gps, et..
    Mas, contudo, entretanto, as chuvas constantes e a mudança da natureza exuberante da floresta fez com que o grupo entrasse em um igarapé errado e há pouca distância do correto.
    Aí foi só sufoco, ainda bem que alguns mantiveram a calma e o raciocínio.
    Realmente, não dá para contar com apetrechos tecnológicos e se arriscar. É melhor contar com o que se sabe realmente e não subestimar em momento algum a Natureza.
    Abraço,

    Carlos

    • José Luciano Gasparello Filho
      29 de junho de 2014 at 13:19

      Eu também assisti, até escrevi uma postagem sobre o programa, mas ainda não publiquei.

  2. Roberto Mendes
    23 de janeiro de 2017 at 18:00

    Prezados vcs poderiam me passar o link desse programa do Discovery Channel que contou esta história do Consul Ilko Miney que se perdeu no Km 80 da BR 174 na floresta amazonica para eu assistir?
    Obrigado

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