Fugidos do Caos… ou criando um!

Tanto a  NatGeo quanto a Discovery têm sido sempre muito inovadores nos formatos de programas que mostram humanos sobrevivendo na natureza. Aparentemente, o programa Fugidos do Caos (do original Live Free or Die), da NatGeo mostra algumas pessoas que foram se isolar em regiões naturais. Alguns poucos têm atitudes sustentáveis, mas a maioria age como todos os outros humanos, ou seja, ferrando com o ambiente à sua volta.

Não é só porque estudo biologia que virei ecochato da noite para o dia, mas minha conclusão baseia-se no óbvio e ululante. As pessoas da foto abaixo talvez sejam os únicos protagonistas tentando viver da forma mais sustentável possível. A intenção deles é criar um ambiente de autossuficiência. O barbado parece ter vivido desde sempre na cidade grande, sendo a moça que realmente toma à frente das iniciativas mais úteis à sobrevivência.

Existem também os caçadores, um senhor que vive no pântano que vive da caça para vender peles, sendo que ele precisa diretamente do contato com a civilização para conseguir dinheiro para permanecer com seu estilo de vida, comprando os recursos úteis para sua sobrevivência. Outro cara, que caça com arco e flecha também tem lá seu modo de vida, mas até aonde vi, caça apenas para sua subsistência e não chega a ferrar com tudo a sua volta.

Um figuraça com o rosto tatuado, que fugindo da sociedade, também se isolou, talvez seja o maior exemplo de ser humano predador de recursos naturais. Só vi três programas, mas a quantidade de árvores que o tatuado derrubou até agora para sua própria subsistência é incrível. Só para cercar uma cabra deve ter cortado mais de vinte árvores.

Talvez a maioria deles não esteja nem aí para o futuro do planeta, e pensem somente em satisfazer seus próprios egos e umbigos. Se realmente estão preocupados com a natureza, agem de forma rotineiramente equivocada. Se um décimo da população urbana mundial resolvesse se engajar na vida que eles decidiram levar, os recursos do planeta se esgotariam mas rápido do que se todos continuassem vivendo nos grandes centros urbanos.

Para viver em terras isoladas você não precisa usar os recursos naturais como os homens da cavernas, que ajudaram na extinção de várias espécies de plantas e animais desde que começaram a usar ferramentas e o fogo. Vá para a roça, fique tranquilo para usar meios modernos para sua subsistência e procure abusar o mínimo da natureza, ou você estará certamente prejudicando as futuras gerações. Autossuficiência é legal, desde que você consiga produzir seus próprios recursos, mas retirá-los da natureza sem deixar nada em troca é o que temos feito há milhares de anos, e isso não foi muito bom para o planeta.

A ideia do programa é interessante, de verdade! O problema é que as pessoas, preocupadas ou não com a preservação da natureza, deviam se informar ou pouco mais antes de se engajarem em ideias estapafúrdias. Os protagonistas continuam lá, na maior parte do tempo isolados, pelo menos até a próxima dor de dente!

Um abraço!

Conheça outros programas da TV a cabo!

 

22 comentários para “Fugidos do Caos… ou criando um!

  1. victor
    23 de junho de 2015 at 13:39

    eu detesto essas baboseiras de programs, a maioria é idiota e sabemos que é tudo manipulado… alem do que certos jumentos nunca ouviram falar em poda, coppicing e outras tecnicas ja conhecidas no neolitico!

  2. Benhur Hardtke Bohm
    23 de junho de 2015 at 22:09

    Também concordo que existe muita manipulação do tipo “BBB” da sobrevivência em TODOS programas deste gênero, depois que vi uma armadilha do Bear Grylls dar duas laçadas na pata de um porco sinceramente me “desbundei” mas fazer o que?
    Na verdade nós seres humanos nos tornamos uma praga mundial e ai que esta o”X” da questão temos que saber discernir e filtrar para se tirar proveito do que pode ser real ou não!

  3. LEONEL SOUZA DA SILVA
    24 de junho de 2015 at 02:17

    cara na boa,fiz minha assinatura na tv a cabo pois não suportava mais ver esses telejornais hipócritas, novelas que prostituem minha inteligência e programas tipo do Luciano Huck, Regina Casé, Faustão, o povo brasileiro não merece isso, é um povo trabalhador merecia relaxar em um programa de tv que pelo menos mostrasse a natureza, e esses programas da discovery, history e national geografic, pelo menos mostra a natureza, e é isso que queremos, sabemos que tem mentira, que muitas coisas são arranjadas, mas é muito melhor do que essas merdas que passam na tv aberta, abço.

    • arnobio
      2 de maio de 2017 at 23:46

      Concordo, eu vejo os programas da Discovery e estou satisfeito

  4. Benhur Hardtke Bohm
    24 de junho de 2015 at 20:53

    Agora falaste bem a verdade amigo Leonel!!!!!

  5. Émerson
    26 de junho de 2015 at 22:52

    Grande Gasparello,

    Gosto muito do programa, mas nunca havia pensado nessa perspectiva… Lembro que a Ilha de Páscoa foi totalmente devastada e levou a extinção, quem diria, do homem!

    Saudações mateiras!

  6. paulo
    14 de julho de 2015 at 17:49

    Realmente, os programas tem premissas até interessantes, mas gente bem “besta” protagonizando.
    o tal barbado e sua esposa têm (sim, principalmente ela) ideias que remetem à permacultura e tentam produzir coisas, não apenas coletar. Manejam a terra, fizeram curvas de nível, mas não assisti muito mais para comentar. Vale ressaltar que são proprietários da terra, o que não tenho certeza de se aplicar ao tatuado.
    Um cara que tatua o rosto está declarando sua guerra à sociedade. Tatuar o antebraço já limita o número de empregos que se pode conseguir, o rosto então, nem se fale. Mas é um cara bastante estúpido mesmo, vi o episódio das cabras, onde ele derruba uma floresta para cercar as cabras.
    Acho que o q tem de mais interessante nessa história é reparar a grade do discovery e ver a importância que o canal dá para o assunto. Fica muito claro que o tema está na moda.
    Também é fácil de ver no youtube centenas, senão milhares, de canais de bushcraft, sobrevivencialismo, e congêneres. Alguns sérios e bacanas, como considero o do autor desse blog, outros de pessoas paranóicas viciadas em teorias da conspiração que querem que o caos aconteça só para testar o fogareiro e poder dizer “eu avisei”. Não faltam kits de sobrevivência em latas de altoid com pen drives, chave micha, mochilas “de uso diário” com centenas de itens inúteis que só mostram uma parte do caráter dessas pessoas: o consumismo.
    O afã de comprar um monte de baboseiras, montar um kit, filmar e colocar no youtube é tanto que muitos nem reparam o que poem no kit.. E algumas mochilas de gringos chegam a ter 3 ou 4 armas de fogo diferente, mostrando que estão mesmo prontos para o apocalipse zumbi.
    Enfim, apenas um desabafo de quem está meio impressionado com essa onda… e os meus parabéns para você, pelo canal do youtube e seu blog que descobri hoje. Devo dizer que já usei alguns nós e outras dicas do seu canal. Obrigado e parabéns pela sobriedade.

    • José Luciano Gasparello Filho
      14 de julho de 2015 at 19:55

      Obrigado Paulo, só vale a pena salientar que não trato de sobrevivencialismo, tampouco bushcraft! Até comentei sobre os temas algumas vezes, mas não é o meu foco. Não embarquei nestas ondas!

      Abraço

      • JP
        4 de setembro de 2016 at 02:44

        Meu nobre, perdoe se não compreendi a sua intenção ao elaborar o título do post.
        Do meu modo de interpretação, da mesma maneira que você diz que seu blog não trata de bushcraft ou sobrevivencialismo, creio que tampouco seja este o objetivo do programa. Não é anunciado como ” sobrevivencialista” portanto a premissa de autossuficiencia não é fundamental (ao objetivo do programa). Errado? Tenho certeza que sim, mas a proposta me parece ser a de mostrar pessoas que estão, ao menos, tentando levar suas vidas na contra mão do que a evolução tecnológica, por exemplo, quer que sigamos. É complicado quantificar o quão péssimo é cortar várias árvores em detrimento da “segurança” de um animal domesticado, tendo em vista que mesmo sem colocar a mão na massa, acabamos por prejudicar de tantas formas diferentes nosso meio ambiente. Seria como julgar o menos errado. Acho que nestes parâmetros, ou não se adequam nosso ideal, ou não se adequa a idéia do programa. Quem está mais errado, eu ou você?
        De toda forma seu blog sempre traz informações muito úteis.
        Grande abraço, JP.

        • Gleisson Luiz Almeida Pardinho
          21 de dezembro de 2016 at 19:05

          Tenho a mesma opinião. Acho que a ideia principal não é viver sem dinheiro 100% e ser 100% sustentável. Mas cada “personagem” tem algumas atitudes sustentáveis. Cada qual ao seu estilo. Mas a ideia principal pra mim seria viver como muitas pessoas, que estão buscando contato com a natureza e fugir um pouco do sistema de consumismo e tal. Não quer dizer que não queiram um pouco mais de conforto. Pra mim é estilo de vida mesmo.

    • Nihil
      7 de outubro de 2015 at 17:16

      Enquanto isso, o senhor está na frente do seu item tecnológico, morando em um casa com os mesmos recursos tirados da natureza.

  7. paulo
    14 de julho de 2015 at 20:30

    Opa, Gasparello, desculpe se meu texto levou a essa conclusão. Se ficou confuso esclareço aqui: um dos motivos que me levaram a curtir e acompanhar seu canal é justamente o fato de que você não embarcou nessa! Sei que tem muita gente que se liga em atividades mateiras há muito tempo, bem antes da dita moda.
    O bom é saber que modas são passageiras e logo só ficarão os interessados no mato e não no apocalipse 😉

  8. Marcos Lopes
    16 de julho de 2015 at 17:09

    Não assisti ao programa, mas imagino como deve ser. Não vou dizer que tudo é tranqueira e não presta relacionados a programas, porém, vejo que um ou outro ainda traz algumas informações úteis. A galera fica malhando o pau que uma das culpas é do consumismo e o sistema em que vivemos, eu também era assim, mais desencanei. Tudo que aparece hoje em dia tem ter investimento, os caras que fazem esse programa, estudam seu publico alvo e usam este artificio para ter audiência, na maioria das vezes dá certo. Não estou defendendo o desmatamento, só estou dizendo que estes são programas de entretenimento e precisam gerar lucros, então, até a moda acabar vão chover programas como esses, o único problema é que estes não se importam com o que está ao seu redor.

  9. Ben-Hur J. de Barros
    9 de agosto de 2015 at 14:37

    Olá Gasparello,
    Eu sou um médico e um “dinossauro” (formado em Ciências Biológicas em 1980), tenho 60 anos, sigo e aprecio os seu canal no YouTube e o teu blog aqui, há um bom tempo, e digo que já foi muito útil em muitas situações.
    Mas agora, venho a comentar e te dar todo o meu apoio a tudo que você escreveu neste artigo. Já assisti muitos destes programas em que os participantes me parecem serem todos evadidos de uma instituição de alienados da guerra do Vietnã, parecendo que ir a vida natural eu devo me preocupar com apenas o calibre, tipo de arma, quanta munição vou levar.
    Uma verdadeira loucura!
    Sou filho de boiadeiro, e sei que é vida no campo. Sei o risco também de se embarcar em uma região primitiva sem preparo e conhecimento adequado (atendo, a vida toda em serviço de emergência).
    Por isso, parabenizo a você, e outros blogueiros conscientes, que tentam mostrar como ir, ver e voltar bem de uma aventura.
    Obrigado.

  10. Carmem Silvia de Andrade
    14 de maio de 2016 at 21:24

    Não existe sujeito 100% ecológico.

  11. GLEISSON LUIZ
    8 de junho de 2016 at 14:42

    Me identifico e gosto muti desse programa. Mas quem quer vida real de verdade não pode assistir televisão. Voltando ao programa, o resumo maior é para o estilo de vida e não sobre sustentabilidade propriamente dito. Tenho um rancho em uma mata fechada na beira de um grande lago e o pouco tempo que estou lá já se percebe o impacto no local. Mas apesar de ter muita caça e madeira no local prefiro manter o mais intacto possível.

  12. guerreiro
    9 de agosto de 2016 at 01:00

    eu acho que realmente isso tudo e verdade sao pessoas que resolveram levar essa vida e uma coisa que poucas pessoas teriam coragem de fazer nos podemos ver aquele chamado (cobert ) ele era segundo o que foi mostrado era um executivo largo tudo pra mora no pantano da (georgea) ele tem familia e ja e ate avo e realmente nao da da pra enteder mais temos que respeitar atitude e a decisao de cada um eu acredito tudo que mostrado no programa e verdade (pesquisem sobre cada integrante da serie cada um tem uma historia o de cara tatuada ele morava na cidade e era professor casado e tem uma filha trabalhava m escola largo a vida cidade pra mora assim na minha opniao e tudo verdade mesmo ass ( guerreiro)

  13. 29 de outubro de 2016 at 21:53

    To no episódio 6 da 1 temporada concordo com vc os únicos que sabe viver na floresta e respeitada e não destruí são os índios

    • Renata
      22 de dezembro de 2016 at 23:11

      Os índios não destroem? De onde você tirou essa ideia absurda?
      Dá uma pesquisa pra você ver a quantidade de M* que eles fazem com a natureza.

  14. 8 de janeiro de 2017 at 09:48

    Eu gostei da série como passatempo. Tem muitas incongruências, até divertidas. O casal festeja o 3 ano juntos com produtos produzidos por eles mas, fora algumas folhas e abóboras, não mostra o que produzem na agricultura, nem frutos nem raízes. Tem outro episódio divertido quando eles compram uma caminhonete. O cara no pântano, depois que a canoa de lona furou, faz uma canoa de um tronco, só que em nenhum momento a mostram por inteiro de perto, e nos episódios seguintes volta a navegar com a canoa de lona. Apenas menciono alguns dos casos. É uma série bem divertida.

  15. Renan Ferreira
    15 de janeiro de 2017 at 23:07

    Olá galera..
    Acho uma grande bobagem falar que as pessoas desse programa estão erradas..
    Falar que eles, cortando algumas árvores, estão destruindo o meio ambiente, só faz os nossos meios de vida muito mais destrutivos..
    Como q alguem q anda de carro, come carne, e usa de outras diversas tecnologias que são poluentes, e desmatam muitas áreas, só para poder ter o tal conforto, pode falar da opção de vida deles?.. Eles que tentam ser menos prejudiciais à natureza, estão errados?
    Se for assim, acho q podemos começar a pensar em parar de andar de carro, e ao invés de falar das árvores que os outros cortam, começar a plantar algumas..

  16. Fabiano Manganelli
    1 de maio de 2017 at 15:39

    Honestamente, ninguém pode julgar os outros, pois, suas cadeiras são feitas de que?
    Madeira (muita mata e derrubada para fazer o chamado plantio consciente), ah mais é de aço( quantos buracos são feitos em uma floresta, em um deserto, ou etc…E não são fechados pelas mineradoras e o lixo produzido no processo, já houveram exemplos aqui no Brasil). Concordo que devem coletar madeira já caída (somos um pais campeão de tempestades arvores caem todo ano), mas também ha as sobras de obras seria um uso mais consciente, concordo mas, isso não muda a natureza do ser humano, ele irá agir como tal qual a sua consciência. É a consciência que deve mudar.

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