Tocando o Vazio

Uma das melhores formas de aprender a respeito de sobrevivência, é avaliar fatos que realmente aconteceram. O livro Tocando o Vazio, escrito e vivenciado por Joe Simpson, conta a respeito da conquista do Monte Siula, nos Andes Peruanos, e as adversidades sofridas durante a subida e o acidente que se sucedeu no retorno, juntamente com seu amigo Simon Yates.

O Livro Tocando o Vazio é uma lição, sobretudo, do valor da persistência.

Talvez os dois fossem experientes o suficiente para atacar o cume de forma um pouco mais segura do que fizeram, mas ao invés de tomarem todos os cuidados, a autoconfiança fez com que não levassem provisões o suficiente para o caso de serem obrigados a permanecer mais tempo na montanha.

Após a sofrida escalada, em um dado momento, mesmo com o clima desfavorável, eles precisam retornar, porque já estão ficando sem água e comida. Para piorar, Joe quebra a perna, tendo em seu amigo Simon um companheiro que se sobrecarrega tentando levá-lo para baixo em segurança.

Se a situação já não fosse ruim o suficiente, Joe cai num precipício e, depois de muito sacrifício e também atendendo talvez a um instinto de sobrevivência, Simon corta a corda que o liga a seu amigo Joe. Achando que seu companheiro havia morrido, Simon retorna para o acampamento. Remoendo-se pela culpa, decide permanecer no local por mais alguns dias, quando então, Joe retorna do mundo dos mortos.

Até agora não contei nada do que não esteja registrado nas orelhas dos livro. As palavras que seguem fazem parte de uma minha avaliação pessoal da leitura.

Como um não montanhista, o livro começa empolgante, mas exagera nos termos técnicos de escalada. Como não costumo começar o livro pelo final, só percebi que havia um glossário depois que terminei a leitura.

No meio do livro começamos a perceber que talvez a dupla tenha errado a mão na questão de avaliação da quantidade de suprimentos, mas a leitura continua sempre empolgante até o momento que Joe é dado como morto e abandonado por seu amigo. A partir daí, o sofrimento do protagonista se estende demais, talvez para dar a ideia da solidão e desespero que sofreu ao ficar sozinho e muito ferido. Depois de algumas páginas a narrativa engrena novamente, entrando novamente num bom ritmo de leitura.

O livro traz algumas fotos da experiência vivida por Joe e Simon.

Talvez eu tenha achado parte do livro meio chata justamente por não ter interesse em escaladas, mas o fator que mais pesou em julgar o livro mediano, é ter lido obras bem mais empolgantes ao narrar histórias de sobrevivência reais e de expedições. Não deixa de ser um bom livro que pode acompanhá-lo num final de semana chuvoso. Para montanhistas, acredito que seja uma obra obrigatória, para tentar evitar de repetir os erros dos outros.

Em livros de escaladas, é comum termos histórias em que companheiros são abandonados à própria sorte quando as coisas fogem do controle. No caso de Tocando o Vazio, não vi outra alternativa, mas em outras histórias reais, me parece ser comum que pessoas se acovardem diante do perigo e abandonem seus companheiros. É um tema interessante para discutir. Até aonde você estaria disposto a se arriscar por um companheiro de expedição? Seja na selva, no mar, no deserto ou na montanha?

Ao terminar a leitura você terá uma lição de humildade do homem em relação à força da natureza. Você verá que por sua própria segurança é necessário avaliar os riscos de forma cuidadosa e contar que as coisas podem dar errado. Mas a principal lição é que a persistência, mesmo contra todas as adversidades, poderá salvar a sua vida!

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