Dica de Livro: Montanha Sombria

Este livro de montanhismo de Nick Heil tem foco na dramática temporada de escaladas do Everest em 2006, aonde algumas polêmicas foram levantadas sobre o fato de alguns alpinistas terem sido encontrados ainda com vida, mas nem todos receberam todos os cuidados de seus pares. A obra também aborda a polêmica das várias empresas que tentam levar clientes sem experiência ao topo do Everest, ocasionando uma grande quantidade de alpinistas que congestionam as rotas. O livro segue a linha de narrativa de outro clássico, No Ar Rarefeito, de Jon Krakauer, que relatou a trágica temporada de 1996.

No início do livro, Heil dá uma ideia geral do que o leitor encontrará, e depois relata um pouco da história da exploração do Everest , seguindo adiante fazendo apresentações das expedições e pessoas envolvidas nos fatos de 2006. Tal qual no livro de Krakauer, as apresentações seguem até um pouco depois da metade do livro, quando, então, os fatos de 2006 começam afetivamente a serem mostrados. Não é um dos melhores livros que já li, mas a cadência razoável do começo ao fim motivou-me a ler todo o livro num único dia.

O autor foi cuidadoso ou procurar ouvir todos os lados e as diferentes versões, para, então, tentar relatar os acontecimentos sombrios da forma mais fidedigna possível.

Greeb boots, citado no livro.

Comecei a me interessar por livros de montanhismo quando procurava por histórias de sobrevivência reais. Foi quando comprei dois outros livros: No Ar Rarefeito, de Jon Krakauer; e Tocando o Vazio, de Joe Simpson. Me surpreendi com a quantidade de pessoas que são deixadas para trás por outros montanhistas, sendo que não raramente, pessoas em dificuldade são abandonadas enquanto outros alpinistas seguem viagem montanha acima. Algumas pessoas são dadas como mortas, ou quase mortas, e são abandonadas à propria sorte. Ao final, o livro traz poucas páginas tentando mostrar o porquê disso acontecer. Somente após a leitura do meu terceiro livro de montanhismo, a narrativa de Montanha Sombria trouxe argumentos suficientemente fortes para que eu aceitasse, em parte, tal comportamento. Talvez eu escreva um artigo a respeito.

Na temporada de 2006, o alpinista brasileiro Vitor Negrete, então com 38 anos, também veio a fazer parte das tristes estatísticas de alpinistas mortos em caminho ao topo do mundo. Negrete é citado em algumas poucas linhas do livro.

Talvez seja mais uma obra de leitura obrigatória para montanhistas. Para as demais pessoas é apenas um bom livro.

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