Aprendendo a fazer um arco artesanal rústico

Ainda piá (garoto) atirei bastante com arco e flecha. Os primeiros arcos foram artesanais, construídos pelo meu pai para um trabalho de escola com o tema “Dia do Índio”. Os dois arcos feitos pelo meu pai não tiveram muita serventia na escola, mas foram de muita valia em vários dias de brincadeiras! Pouco depois comecei a atirar com arcos industrializados, porém, sem nenhuma técnica especial.

Com alguns vídeos produzidos sobre o tema para o meu canal, com ajuda do Helder Chin, da Yellow Ball, voltei a me interessar pelo assunto. Resolvi construir um arco. Testei um galho de ipê-amarelo para tal empreitada. Não tenho certeza se todo tipo de ipê pode ser chamado de pau-d’arco, sei que pelo menos um tipo de ipê é chamado assim, e deve ser por um bom motivo. Apesar do nome sugestivo, não coloquei muita fé no ipê. Todos os galhos que já encontrei pelo chão são sempre podres. Mas, como saber se não tentar? Serrei um galho mais ou menos reto de um ipê para utilizar a madeira ainda verde. Para ser bem sincero, sequer tenho certeza se é melhor utilizar a madeira verde ou esperar secar para a construção de um arco. Não lembro o tamanho exato, mas acho que o arco batia na altura do meu peito.

Descasquei a madeira com todo o capricho do mundo, coloquei uma cordinha de polipropileno de 2mm e testei a envergadura, ou sei lá como se chama o ato de puxar o arco. Puxei um pouco, fiquei surpreso com a flexibilidade do ipê. Puxei mais um pouco. Empolgado com o resultado, resolvi que iria puxar até conseguir ancorar a corda próxima ao meu rosto. Na terceira puxada ouvi um “crec”!

O arco rachou bem no meio, aonde eu percebi um nó na madeira. Mesmo com a rachadura, consegui fazer alguns disparos até que o arco quebrasse por completo. Tirei duas lições nesta primeira tentativa na construção de um arco. A primeira dela é evitar os galhos com nós, ou pelo menos, com um nó bem na parte da empunhadura. A segunda lição é utilizar um segmento de madeira um pouco maior, talvez da minha altura, para não ter que flexionar tanto o arco a fim de conseguir ancorar a corda próxima ao meu rosto.

Já testei com um galho de goiabeira e funcionou bem, só estou esperando um galho melhor crescer um pouco mais para fazer um arco mais caprichado. Continuo à procura de um galho de ipê um pouco maior e também de uma árvore chamada de pau-ferro, que dizem dar um bons arcos! Tem vários exemplares de paus-ferro em Brasília, mas não quero sair por aí em área pública com uma serra na mão. Vou ter que encontrar um pau-ferro durante minhas andanças.

Acredito que os belos arcos artesanais que vemos são fruto de partes nobres da madeira, e não de galhos como estou fazendo. Mas não quero derrubar árvores jovens para fazer um arco só para diversão, então vou literalmente quebrando galhos para fazer meus arcos!

Se você acessar o vídeo abaixo diretamente pelo YouTube, poderá ler várias dicas interessantes para eu melhorar no meu próximo arco. Vou aplicar a mais simples, de deixar a madeira secar por um tempo. Futuramente, vou aplicando outras dicas, aos poucos!

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8 comentários para “Aprendendo a fazer um arco artesanal rústico

  1. evandro benke
    7 de agosto de 2014 at 00:21

    eaí,como vai ,cara é o seguinte fazer um arco que preste e que realmente seja útil para caçar alguma coisa é demorado,serviço de semanas e mesmo assim provavelmente o primeiro e o segundo não vão dar certo é questão de pratica.e qualquer ipê serve mas o melhor é o roxo,tira-se um galho que já tenha uma curvatura boa e tem que deixar secar para depois começar a trabalhar .

  2. Emanuel Vaz
    27 de agosto de 2014 at 23:07

    Olá, gosto muito desse blog , e ja acompanho a muito tempo , em consonância com Evandro Benke , o ipê é deveras muito bom para a confecção de arcos , eu fiz com ipe amarelo e ele durou muito tempo.

  3. João Alves Filho
    27 de janeiro de 2015 at 23:51

    Rapaz, quer saber, é isso aí, o importante é fazer, e ir fazendo até aprimorar. Valeu!

  4. Bruno
    13 de agosto de 2015 at 04:03

    Um amigo comprou um na africa muito bom, ele não sabe o nome da madeira, mais a corda e feita com tripas de animais, trançadas – muito legal.

  5. Andre Tenorio Maneti
    27 de setembro de 2015 at 04:17

    faca denovo com essa madeira e se tiver nos enrole co a policarboneto que ficara mais dificil de quebrar

  6. edilson freitas
    16 de julho de 2016 at 04:36

    olha cara nao sei se na sua regiao tem uma arvore por nome de sabiá mais fiz o meu arco e gostei,tem boa resistencia e frexibilidade boa. um abraço.

  7. Marco Antonio Kopelvski
    14 de fevereiro de 2017 at 17:44

    Gasparello, parabéns pelo trabalho, muito bom o conteúdo, estarei sempre fazendo um visita no site, muito bom. Abraços.
    14/02/2017. – 15:44h

    • José Luciano Gasparello Filho
      14 de fevereiro de 2017 at 17:59

      Muito obrigado!

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