A Falácia da Sustentabilidade

É muito bonito falar em sustentabilidade, fazer uso racional da água e de outros recursos naturais, reciclar o lixo, procurar por meios alternativos de energia renovável. Mas ainda são poucas as pessoas no mundo que tentam viver de uma forma realmente racional.

Pense comigo. Para um ser humano fazer mal à natureza, basta existir. Por mais que nos engajemos para mudar a forma de viver, ou de usar os recursos do mundo, na verdade estamos sempre postergando o inevitável, ou seja, o esgotamento da natureza, incluindo aí a extinção de várias espécies que nada têm a ver com a nossa fome de recursos naturais.

O ser humano deve economizar água para que não falte agora, e que também não falte para as gerações futuras, mas de humanos. São poucos os que pensam nas consequências para o planeta como um todo. Por muitos anos, para mandar nossas fezes pelo esgoto, usamos água potável, e por muito tempo ainda usaremos este método. Existem algumas iniciativas isoladas para utilizar água de reúso, mas até que grande parte do mundo utilize este sistema, haverá muito desperdício.

Por mais que estejamos preocupados com a sustentabilidade, continuamos a nos reproduzir sem que tenhamos predadores realmente eficientes para equilibrar a balança natural, a não ser o próprio ser humano. Basta lembrar de uma frase filosófica:  “o homem é o lobo do homem”! Nos países desenvolvidos já nascem menos pessoas do que há poucas décadas atrás, mas até que todos os países do mundo atinjam esta maturidade social, se é que algum dia vão atingir, muitos recursos naturais serão consumidos. Já os problemas econômicos da baixa natalidade não são o escopo deste artigo.

E se você for uma pessoa que acha que a agricultura é a raiz de todos os males que atingem a natureza, pense um pouco mais. Por acaso você não consome óleo de soja, orgânico ou não? Não come arroz, feijão, hortaliças? Isso só para falar de agricultura, porque provavelmente, por mais preocupado que você esteja com a destruição da natureza, você deve andar de carro e de vez em quando viajar de avião. Quantas garrafas PET você joga fora todas as semanas? E as embalagens de todo o tipo de produto industrializado?

Imagine que todos os seres humanos, de uma hora para outra, decidam que vão viver em regiões rurais, criar os animais e plantar os vegetais que consomem. Você acha que a natureza estaria mais protegida ou seria depredada mais rapidamente? Para sua reflexão, vale salientar que até mesmo as populações indígenas exaurem a terra em que vivem e, de tempos em tempos, precisam se mudar até que o local se restabeleça. Você acha que se o mundo ainda hoje fosse predominantemente rural não haveria consumo excessivo de recursos naturais?

Talvez, os grandes aglomerados urbanos sejam realmente a melhor solução para os milhares de humanos que povoam este mundo, poluindo em excesso algumas regiões do planeta, enquanto outras poderiam ter uma sobrevida maior, até que alguma peste ou sequência de guerras, ou ambas, acabem por exterminar a raça humana. Só assim, talvez o mundo sobreviva, até que uma nova espécie se destaque dentre todas as outras, quando o ciclo de destruição não natural recomeçaria.

Na próxima vez que você for tomar alguma ação em nome da sustentabilidade, reflita se está fazendo isto apenas por você, ou se também estará tomando uma ação positiva pelo bem do planeta!

Leia também:

 

3 comentários para “A Falácia da Sustentabilidade

  1. Victor Fox
    27 de fevereiro de 2015 at 20:03

    Que dizer da caça? sem matar certas especies, proliferam e destroi outras especies e habitats. Para piorar, muitas são especies invasoras, como o famigerado e saboroso javali, o nojento caracol africano, as carpas e tilapias em aguas fluviais, pombos e pardais no ambiente urbano. Todos, quando não competem por alimento, se alimentam de outras especies nativas da fauna e por vezes destroem tambem a flora, que não estava adaptada a sua existencia.

    de minha parte, tento reduzir meu consumo (tambem por sovinagem) e reciclar tudo o que posso. E sempre que possivel, alivio a fauna de seus invasores aquaticos e terrestres.

    abraço.

  2. 2 de março de 2015 at 14:15

    Realmente, ainda, a melhor forma de controle humano é aglomerá-los em cidades.
    Sem espalhar esta metástase.
    Quanto ao campo, a volta ao campo, a agricultura familiar, isso tudo torna-se apenas uma ilusão, utopia, se pensarmos nas grandes escalas humanas.
    Não há como alimentar tanta gente sem as vastas fazendas industrializadas,
    sem as tecnologias atuais.

    Agora, qualquer coisa que amenize a nossa interferência, a nossa auto aniquilação,
    será sempre bem-vinda.

    abç.

  3. Marcolino Marco
    8 de março de 2015 at 23:12

    Taí, disse tudo. Sempre acreditei que, para humanos, procriar é antiecológico. Entretanto, é comum depararmos com “ecologistas” que procriaram duas, três ou mais vezes. A esses eu apelido “eco-chatos”: pessoas com discurso ecológico/sustentável e prática predadora.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

WP-SpamFree by Pole Position Marketing